El Niño ameaça recursos hídricos e exige ações intensas na proteção da Mata Atlântica

El Niño ameaça recursos hídricos e exige ações intensas na proteção da Mata Atlântica

Publicado em: 26 de agosto de 2026

Alerta Climático: El Niño ameaça recursos hídricos e exige ações intensas na proteção da Mata Atlântica

Com a confirmação oficial de que o fenômeno El Niño está estabelecido no Oceano Pacífico Equatorial e com mais de 90% de probabilidade de se estender até o início de 2027, os órgãos federais de monitoramento climático emitiram um alerta preocupante para todo o país. Contudo, a Região Sudeste e o bioma da Mata Atlântica são áreas que requerem atenção ainda maior, pois a combinação de estiagem severa e altas temperaturas ameaça o abastecimento hídrico e a biodiversidade. Os estudos foram realizados conjuntamente pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), pelo Instituto Nacional de Meteorologia (INMET), pela Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA), pelo Centro Nacional de Monitoramento e Alerta de Desastres Naturais (CEMADEN), pelo Serviço Geológico do Brasil (SGB) e pela Secretaria Nacional de Proteção e Defesa Civil (SEDEC).

Diante desse cenário, a Associação Ambientalista Copaíba reforça a importância da restauração ecológica como ferramenta de defesa dos recursos hídricos e da Mata Atlântica.

Diferentes realidades no Brasil

Os estudos apontam que o atual El Niño vem com intensidade de forte a muito forte, com anomalias térmicas que podem fazer a temperatura da superfície do mar subir até 2º C acima da média. Os impactos para o trimestre de agosto, setembro e outubro indicam uma forte divisão no Brasil: enquanto no Sul estão previstas chuvas volumosas, o Sudeste, Centro-Oeste, Norte e Nordeste devem enfrentar um período estendido de seca com temperaturas significativamente acima da média.

Este desequilíbrio tem forte impacto nos recursos hídricos, especialmente na Mata Atlântica, bioma que abriga mais de 70% da população brasileira e reúne as principais bacias hidrográficas do Sudeste.

A seca prolongada reduz drasticamente o lençol freático, levando ao secamento de nascentes não protegidas. Paralelamente, a vegetação ressecada e o calor extremo criam o ambiente ideal para a propagação de focos de incêndio, destruindo áreas em processo de regeneração, degradando o solo e eliminando corredores ecológicos vitais para a fauna. Esses fatores reduzem a oferta de alimento e água, gerando uma perda severa de biodiversidade.

A restauração como solução

Diante da intensidade dos impactos causados pelo El Niño, as respostas mais sustentáveis e eficientes residem nas chamadas Soluções Baseadas na Natureza (SBN). Nesse contexto, a restauração ecológica na Mata Atlântica consolida-se como um modelo fundamental de resiliência e adaptação climática.

A Copaíba se tornou um ponto de referência na região com ações voltadas diretamente à mitigação dos impactos climáticos extremos.

A produção de mudas nativas de alta qualidade e os projetos de restauração ecológica realizados pela instituição ao longo das bacias dos rios do Peixe e Camanducaia auxiliam diretamente na proteção de nascentes e na recuperação de áreas degradadas. Ao longo de seus 27 anos de história, a Copaíba já produziu mais de 4,5 milhões de mudas, plantou mais de 1,2 milhão de árvores e mantém 903 hectares em processo de restauração. Todo esse trabalho protege quase 500 nascentes em 63 km de rios e córregos da região. “Nosso trabalho vai ao encontro dessas necessidades e seguiremos em busca de mais parceiros para continuar reflorestando a Mata Atlântica. Nossa atuação na restauração de Áreas de Preservação Permanente e margens de rios garante que a vegetação nativa atue como uma ‘esponja natural’, favorecendo a infiltração da água de chuva no solo, reduzindo o escoamento superficial e a erosão, contribuindo para a recarga da água subterrânea e para a manutenção da disponibilidade hídrica, mesmo em períodos severos de estiagem”, destaca Ana Paula Balderi, responsável pela equipe de restauração da Copaíba.

Da emergência à ação

O poder público também tem sua parcela de responsabilidade. Cabe aos gestores implementar planos de contingência urbana com a estruturação de abrigos públicos climatizados, instalação de pontos de hidratação em áreas de grande circulação, adaptação de horários de trabalho de servidores externos e reforço nas redes de saúde para o pronto atendimento de intercorrências causadas pelas altas temperaturas.

Outra medida fundamental orientada pela Defesa Civil Nacional é reforçar a comunicação para garantir que toda a população esteja cadastrada nos sistemas oficiais de alerta de seu município.

O enfrentamento aos impactos do El Niño exige uma atuação conjunta e antecipada entre órgãos públicos, produtores rurais, instituições socioambientais e toda a comunidade. Protegendo a Mata Atlântica, protegemos o futuro da nossa água.

Copaíba

A Associação Ambientalista Copaíba é uma Organização da Sociedade Civil de Interesse Público (OSCIP), sem fins lucrativos, com sede em Socorro (SP), que atua desde 1999 na conservação e restauração da Mata Atlântica nas bacias dos rios do Peixe e Camanducaia. Presente em 19 municípios da região, a Copaíba desenvolve ações integradas em políticas públicas, educação ambiental, produção de mudas e restauração ecológica, promovendo a reconexão das pessoas com a natureza e a proteção dos recursos naturais, em especial da água e da biodiversidade.

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