Frutíferas para quem?

Frutíferas para quem?

Publicado em: 11 de novembro de 2025

Frutíferas para quem?

Estamos no auge da primavera, as chuvas retornam e, com elas, chega a temporada de frutificação de diversas espécies nativas da Mata Atlântica, inclusive as frutíferas.

Quando pensamos em árvores frutíferas, é comum lembrarmos dos frutos que chegam à nossa mesa: manga, abacate, banana, laranja… Mas nenhuma dessas espécies é nativa do Brasil — e muito menos da Mata Atlântica.

Por que será que conhecemos tão pouco o que é nosso?

A natureza é generosa, e muitas espécies nativas desse bioma oferecem frutos saborosos e nutritivos, que também fazem parte da nossa cultura alimentar. Pitanga (Eugenia uniflora), Uvaia (Eugenia pyriformis), Gabiroba (Campomanesia xanthocarpa), Araçás (Psidium spp), Bauna (Eugenia involucrata) e Araticuns (Annona spp) são apenas alguns exemplos de espécies da nossa flora.

Mas será que quando falamos em frutíferas estamos falando apenas das que servem para nós?

Essa é uma pergunta importante – especialmente para quem planta pensando na conservação da natureza.

A imensa diversidade de árvores nativas da Mata Atlântica oferece alimento a uma variedade de animais: aves, mamíferos, répteis e até insetos. Os frutos são apenas uma parte dessa oferta – muitas espécies também servem de alimento por suas folhas, flores, cascas, sementes e até raízes.

No Viveiro Florestal Copaíba, das 130 espécies que produzimos, mais de 80 espécies têm algum papel na alimentação da fauna silvestre. Isso mostra como o plantio de árvores nativas é essencial para manter o equilíbrio ecológico e a sobrevivência de muitos animais.

Cada espécie de animal tem suas preferências e estratégias de alimentação:

  • Macacos se alimentam das folhas e frutos de canjarana (Cabralea canjerana), das sementes de mutambo (Guazuma ulmifolia) e dos frutos de jatobá (Hymenaea courbaril);
  • Aves apreciam o arilo – uma “polpa” que envolve a semente – de espécies como copaíba (Copaifera langsdorffii), camboatás (Cupania spp) e espinheira-santa (Maytenus ilicifolia);
  • O serelepe (também conhecido como esquilo ou caxinguelê) se alimenta dos frutos do jerivá (Syagrus romanzoffiana) – um tipo de palmeira muito ornamental por sinal. Ele se alimenta também das sementes da Pinheiro-do-paraná (Araucaria angustifólia) assim como outras inúmeras espécies de mamíferos e aves;
  • Os morcegos, muitas vezes injustamente vistos como perigosos, são grandes aliados da floresta. Alimentam-se dos frutos de angelim (Andira spp), embiruçu (Pseudobombax grandiflorum) e guanandi (Calophyllum brasiliensis), e ao transportarem o pólen entre as flores, garantem a reprodução e a formação de novos frutos.

Quando conhecemos as relações entre as árvores e os animais, entendemos que cada espécie tem um papel fundamental. Plantar árvores frutíferas não é apenas plantar para nós – é também plantar para sustentar a vida ao nosso redor.

Essas interações sustentam cadeias ecológicas complexas, que mantêm a floresta viva e saudável. E é nesse equilíbrio que também encontramos o alimento, o ar puro e a beleza que tornam a vida humana possível.

Ao escolher espécies frutíferas nativas para o seu quintal, sítio ou projeto de restauração, é possível contribuir para a conservação da fauna, apoiar a biodiversidade e, ao mesmo tempo, colher os frutos dessa convivência.

As árvores sustentam a vida em todas as formas. Quanto mais conhecemos as espécies, mais aprendemos a amá-las e respeita-las.

 

(Artigo da equipe do Viveiro)

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