Como a roçagem pode proteger ou ferir a biodiversidade urbana

Como a roçagem pode proteger ou ferir a biodiversidade urbana

Publicado em: 12 de dezembro de 2025

Como a roçagem pode proteger ou ferir a biodiversidade urbana

Entre os meses de janeiro e março de 2025, diversas prefeituras brasileiras registraram volumes expressivos de roçagem urbana, um indicativo de que a vegetação cresce com mais vigor no verão e demanda atenção das equipes de zeladoria. A Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização de Londrina, no Paraná, por exemplo, informou em seu relatório de transparência que, no primeiro semestre deste ano, cerca de 20,9 milhões de metros quadrados de áreas públicas passaram por roçagem, entre canteiros centrais, praças, jardins e áreas verdes.

Esses números ilustram bem a escala do trabalho de manutenção nas cidades, em que, para manter as áreas limpas e acessíveis, as equipes percorrem grandes extensões de grama e vegetação. No entanto, esse volume de roçada também evidencia o impacto potencial sobre a arborização urbana, especialmente quando a atividade não é feita com cuidado. Em muitas operações, árvores jovens ou adultas podem sofrer ferimentos graves se a roçadeira encostar no tronco ou na base, comprometendo sua saúde e abrindo vulnerabilidades para pragas e doenças.

O que diz a Copaíba

Para a Associação Ambientalista Copaíba, essa constatação é motivo de grande preocupação. Durante a roçagem urbana, quando a roçadeira atinge o tronco, a casca — equivalente à pele humana — é danificada, e é justamente nela que se localiza o floema, tecido responsável pelo transporte da seiva elaborada, fundamental para a nutrição da planta. Além de proteger contra pragas, doenças e danos mecânicos, a casca cumpre função vital para o crescimento e a estabilidade das árvores.

Quando esse tecido é ferido, o floema fica exposto, tornando-se uma porta de entrada para fungos apodrecedores, cupins, brocas, formigas cortadeiras e diversos patógenos que rapidamente colonizam o tecido lesionado. Com o tempo, agressões recorrentes podem gerar cavidades, podridões internas e fragilidade estrutural, fatores que aumentam significativamente o risco de queda.

O impacto fisiológico também é severo. A árvore precisa “compartimentalizar” o dano, criando barreiras internas para conter a invasão de microrganismos. Esse processo é custoso em energia e reduz o crescimento, aumenta o estresse hídrico e pode desencadear declínio progressivo. Em casos de ferimento contínuo na base, pode ocorrer anelamento parcial ou total, interrompendo o fluxo de seiva elaborado e bruta, o que provoca secamento do tronco, rebrotamentos frágeis e eventual morte completa.

Problemas com roçagem urbana equivocada

Os efeitos da roçagem urbana equivocada na arborização urbana são amplos: perda de sombra, aumento das ilhas de calor, redução da qualidade do ar, menor infiltração de água no solo, agravando enchentes, e diminuição da biodiversidade, afetando aves, insetos polinizadores e outros organismos que dependem das árvores como abrigo e alimento. Ou seja, pequenos erros de manejo podem gerar impactos ambientais significativos e duradouros.

Justamente por isso, a Copaíba reforça que práticas simples de manejo podem evitar perdas ambientais expressivas. Entre as principais recomendações estão:

  1. Mantenha distância do tronco — Nunca encoste a roçadeira na árvore, porque até um toque leve pode machucar; até mesmo quando é utilizado o fio de nylon, que muitos entendem que não coloca o tronco em risco.
    2. Faça um coroamento ao redor da árvore — Deixe um círculo de 30 a 50 cm sem grama, ou cubra com matéria orgânica seca para reduzir a necessidade de aproximação.
    3. Utilize protetores de tronco — Canos de PVC ou protetores específicos ajudam a evitar golpes acidentais.
    4. Realize o acabamento manual — Nos últimos centímetros próximos ao tronco, substitua a roçadeira por tesoura de poda ou enxadão.
    5. Oriente e treine as equipes — A maior parte dos danos ocorre por falta de informação; capacitação é a melhor prevenção.

Essas orientações, quando adotadas de forma contínua pelas prefeituras, transformam a rotina de manutenção em uma aliada da biodiversidade urbana. A roçagem urbana deixa de ser apenas um trabalho de limpeza e passa a ser também um instrumento de proteção das árvores e da vida que elas sustentam, assegurando que as cidades mantenham seus serviços ambientais e a qualidade de vida de seus moradores.

Conheça mais o trabalho com politicas públicas da Copaíba – Clique aqui!

Compartilhe!

Últimas publicações