Cidades resilientes: cuidar da água e do solo é compromisso coletivo entre campo e cidade
Cidades resilientes: cuidar da água e do solo é compromisso coletivo entre campo e cidade
Cidades resilientes: cuidar da água e do solo é compromisso coletivo entre campo e cidade
Na rota da COP-30, Copaíba reforça o papel de cada cidadão e gestor público na construção de cidades resilientes e mais preparadas para enfrentar eventos climáticos extremos
Com o aumento da frequência de secas severas, chuvas intensas e erosões que afetam tanto áreas rurais quanto urbanas, a pauta da resiliência climática ganha força nas discussões globais e também nas realidades locais. Em regiões como o Circuito das Águas Paulista e o sul de Minas Gerais, onde a relação entre campo e cidade é profundamente interdependente, o desafio de adaptar-se enquanto durante às mudanças climáticas passa pelo cuidado compartilhado com a água e o solo, criando cidades resilientes.
Durante as discussões da Conferência das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas de 2025 (COP-30), realizadas na cidade brasileira de Belém – PA, líderes e cientistas têm reiterado que a adaptação climática precisa começar de baixo para cima, com comunidades fortalecidas, prefeituras atuantes e cidadãos conscientes de seu papel na preservação ambiental. É essa a mensagem que a Associação Ambientalista Copaíba, com sede em Socorro (SP), tem buscado levar à população da região, conforme pontua Camila Conti, presidente da Copaiba e arquiteta e urbanista.
“A resiliência climática não é uma agenda distante, de gabinete. Ela está no dia a dia de cada município, na estrada rural que alaga, na enxurrada que leva o solo embora, na nascente que secou ou na erosão que corta uma propriedade, nas mudanças que afetam a produção agrícola e por consequência o preço dos alimentos. Por isso, é essencial que a população entenda que tem um papel ativo nesse processo, tanto na cobrança ao poder público quanto na adoção de boas práticas de manejo da água e do solo”, afirma.
Precisamos de cidades resilientes
Nesse sentido, em municípios do sul de Minas Gerais e do Circuito das Águas, as estradas rurais desempenham aspecto essencial para a economia local, ligando propriedades, permitindo o escoamento da produção e conectando pequenas comunidades, mas também têm representado pontos de vulnerabilidade ambiental. “Muitas vezes, o problema começa pequeno, com um barranco mal drenado ou uma enxurrada que desce da propriedade vizinha. Quando a água não tem por onde infiltrar, ela ganha força e destrói a estrada. Isso não afeta só o produtor rural, afeta o transporte escolar, o turismo, o abastecimento”, explica Camila.
De acordo com a presidente da Copaíba, o manejo da água precisa ser coletivo: “A prefeitura tem a responsabilidade de manter as estradas bem drenadas, mas o proprietário rural também deve cuidar para que a água da sua propriedade não escorra para a estrada. Quando cada lado faz sua parte, todos ganham. Quando um falha, o prejuízo é de todos”.
Essa visão de corresponsabilidade é central para a construção de cidades resilientes, um conceito que, segundo a ONU, se refere a municípios capazes de prevenir, resistir e se recuperar de eventos climáticos extremos, como enchentes, deslizamentos e secas prolongadas. “Resiliência não é só reagir aos impactos, é antecipá-los. E isso envolve planejamento territorial, cuidado com as nascentes e investimento em infraestrutura verde”, complementa Camila.
Campo e cidade: uma mesma bacia, um mesmo destino
Para a Copaíba, que há mais de 25 anos atua na restauração florestal e na conservação de nascentes da bacia do rio do Peixe, pensar em resiliência climática é também reconhecer que o campo e a cidade fazem parte do mesmo sistema hídrico. A água que desce da encosta e atravessa uma estrada rural é a mesma que alimenta o rio que abastece os centros urbanos.
“É comum pensarmos que as ações ambientais estão isoladas, mas o ciclo da água conecta tudo. Quando o produtor rural faz curvas de nível, planta árvores nas margens e evita o escoamento superficial, ele está contribuindo diretamente para a segurança hídrica da cidade. E quando o poder público urbano investe em áreas permeáveis e no manejo adequado das águas pluviais, também está protegendo o campo”, ressalta Camila.
A presidente da Associação destaca ainda que o engajamento comunitário é o ponto de partida para qualquer transformação: “As pessoas precisam entender que resiliência não se constrói sozinha. É um trabalho coletivo, contínuo, que exige diálogo entre cidadãos, produtores e gestores. E é isso que queremos inspirar, que as pessoas olhem para seus municípios e passem a cuidar deles com o mesmo zelo que têm por suas casas”.
À medida que o mundo discute, nas conferências internacionais, caminhos para conter o aquecimento global e adaptar cidades às novas realidades climáticas, a experiência da Copaíba mostra que as soluções mais eficazes nascem do território. “Não há modelo único. Cada município precisa encontrar suas próprias estratégias, baseadas em suas características, clima, relevo e cultura. Mas o ponto comum é claro: precisamos cuidar da água, do solo e das pessoas e isso só é possível quando todos se envolvem”, conclui Camila Conti.
A mensagem que fica, em meio à COP-30, é que a resiliência começa em casa, na roça, na rua e na estrada. Construí-la é um ato de cidadania, de cuidado mútuo e de visão de futuro.
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